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Assembleia de Deus acusada de acobertar abusos de pastor

26 de maio de 2026

Seis mulheres entraram com uma ação judicial contra a Assembleias de Deus e contra uma igreja do Arkansas, nos Estados Unidos, acusando líderes da denominação de ignorarem denúncias envolvendo o ex-pastor infantil Anthony “Tony” Waller. O processo foi protocolado em 20 de maio no Tribunal do Condado de Craighead e afirma que o líder religioso abusou sexualmente de meninas e gravou crianças secretamente durante aproximadamente 15 anos.

A ação cita a Refuge Church, anteriormente conhecida como Primeira Assembleia de Deus de Jonesboro, além de líderes regionais e nacionais da denominação. Segundo o processo, famílias e adolescentes relataram preocupações sobre o comportamento de Waller desde os anos 2000, incluindo denúncias sobre câmeras escondidas, toques inadequados e situações em que meninas teriam sido orientadas a se despir durante atividades da igreja.

Uma das autoras da ação, Stephanie Davis, afirmou que ela e outras meninas encontraram uma câmera escondida apontada para um banheiro da igreja por volta de 2004. Segundo o relato, Waller teria pedido que meninas participantes das atividades se despissem para realizar alongamentos. Davis também alegou que recebeu uma bebida que a deixou tonta antes de conseguir entrar em contato com a mãe.

O processo afirma que líderes da igreja removeram a câmera escondida, suspenderam Waller por algumas semanas e depois o reintegraram ao ministério infantil. “Eles não fizeram nada a respeito. Absolutamente nada”, declarou Davis à NBC News.

Novas acusações surgiram nos anos seguintes, incluindo denúncias de gravações secretas de meninas se trocando, além de relatos de aliciamento e abuso sexual dentro da igreja. O caso veio à tona em 2015, após a esposa de Waller encontrar imagens de crianças nuas em seu computador e comunicar as autoridades.

De acordo com registros policiais citados na ação, investigadores localizaram vídeos gravados com câmeras escondidas instaladas em banheiros da igreja e em outros locais. Em 2016, Tony Waller se declarou culpado pelo estupro de duas meninas e foi condenado à prisão perpétua.

O processo foi apresentado após uma investigação da NBC News sobre denúncias de abuso sexual ligadas às Assembleias de Deus. A reportagem mencionou acusações contra cerca de 200 pastores, funcionários e voluntários da denominação ao longo das últimas cinco décadas.

Em nota divulgada no relatório, o Conselho Geral das Assembleias de Deus afirmou que tomou conhecimento das acusações contra Waller apenas em 2015. A denominação informou que o ex-pastor foi denunciado às autoridades e teve suas credenciais ministeriais revogadas, destacando que mantém uma política de “tolerância zero” contra abusos.

A Refuge Church não comentou o caso até o momento. O ex-pastor sênior Mike Glover, citado no processo, negou as acusações de negligência por meio de seu advogado e contestou afirmações de que líderes da igreja teriam sido avisados anteriormente sobre suposta má conduta sexual ou sobre câmeras escondidas.

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