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7 de maio de 2026
O crescimento de igrejas evangélicas de origem brasileira na Espanha tem acompanhado o aumento da imigração latino-americana no país. Ao mesmo tempo em que essas congregações se consolidam como espaços de apoio espiritual e social para estrangeiros, líderes e membros relatam episódios de preconceito e discriminação.
Na cidade de Madri, o bairro de San Blas abriga uma unidade da Igreja Pentecostal Deus é Amor. Conhecida pela forte presença de imigrantes, a congregação reúne fiéis de diferentes nacionalidades e funciona como ponto de acolhimento para famílias estrangeiras.
A paraguaia identificada como “irmã Clara”, residente na Espanha desde 2019, afirmou que o ambiente da igreja proporciona senso de pertencimento. “Somos todos família”, declarou, destacando o apoio mútuo entre os membros.
Dados do Observatório de Pluralismo Religioso indicam que uma nova igreja evangélica é aberta a cada quatro dias em Madri. Atualmente, a capital espanhola possui 1.187 templos evangélicos. Nos últimos cinco anos, foram inauguradas 455 novas congregações, crescimento de 62%.
Em Barcelona, a presença evangélica praticamente dobrou nas últimas duas décadas, segundo informações da Dirección General de Asuntos Religiosos de la Generalitat.
O pastor Gilberto Miranda de Moraes, natural do Rio Grande do Sul e líder da Igreja Pentecostal Deus é Amor na Espanha, conduz cultos em português e espanhol. As mensagens abordam temas como fé, família e vida financeira, além de momentos de oração por pessoas que enfrentam enfermidades, dificuldades econômicas e crises espirituais.
Estimativas apontam que cerca de 1,5 milhão de pessoas frequentem igrejas evangélicas na Espanha. O percentual de espanhóis e residentes que se identificam como evangélicos passou de 0,2% em 1998 para 2% em 2018.
Além da Deus é Amor, denominações brasileiras como Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Batista da Lagoinha, Igreja Cristã Maranata e Verbo da Vida também ampliaram presença no país.
O professor Chema Alejos relaciona esse crescimento ao fluxo migratório latino-americano. Segundo ele, muitos imigrantes procuram ambientes que ofereçam proximidade cultural e suporte diante das dificuldades de adaptação. A Espanha abriga cerca de 4 milhões de imigrantes latino-americanos, parte deles em situação irregular.
A equatoriana Sandra, moradora de Madri desde 2016, relatou experiências de acolhimento na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Segundo ela, os membros ajudam uns aos outros na busca por emprego e moradia.
Apesar disso, líderes religiosos afirmam enfrentar resistência fora dos templos. A pregadora dominicana Josefa Nava, de 78 anos, afirmou já ter sido multada por evangelizar em espaços públicos. Segundo ela, a reação seria diferente caso a abordagem fosse feita por integrantes da Igreja Católica.
O brasileiro Marcelo de Moura, cooperador da Igreja Pentecostal Deus é Amor em Madri, relatou ter sofrido rejeição no ambiente de trabalho após sua conversão ao Evangelho. Já o pastor Gilberto Miranda afirmou que parte das dificuldades enfrentadas por imigrantes está ligada a uma percepção de “superioridade europeia” em relação a estrangeiros latino-americanos.
A relação histórica entre o protestantismo e a sociedade espanhola também influencia esse cenário. A Espanha manteve forte tradição católica ao longo dos séculos e registrou perseguições a protestantes desde o século XV. Durante o regime de Francisco Franco, práticas evangélicas chegaram a ser proibidas. A liberdade religiosa foi ampliada apenas após a transição democrática.
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