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30 de abril de 2026
Imagens de satélite confirmaram a demolição de duas igrejas cristãs históricas em Stepanakert, principal centro urbano da região de Nagorno-Karabakh, atualmente sob controle do Azerbaijão desde setembro de 2023. Autoridades religiosas da Armênia afirmaram que a ação faz parte de uma tentativa deliberada de apagar o patrimônio cristão armênio no território.
A Catedral da Santa Mãe de Deus, principal local de culto cristão da cidade, foi demolida, segundo informações divulgadas pela Rádio Europa Livre com base em imagens captadas no domingo. A cidade também é chamada de Khankendi pelas autoridades azerbaijanas.
A construção da catedral teve início em 2006 e sua consagração ocorreu em 2019. Durante os conflitos militares na década de 2020, o local foi utilizado como abrigo antiaéreo por moradores da região. Registros divulgados em redes sociais no início de fevereiro mostravam a área cercada por estruturas de obra, e há indicação de que a demolição tenha ocorrido no início de abril.
Outra estrutura destruída foi a Igreja de São Jacó, também identificada por imagens de satélite nas últimas semanas. O templo havia sido concluído em 2007 com financiamento de um filantropo armênio-americano em memória de seu filho. Segundo a Igreja Armênia, cruzes de pedra localizadas no entorno também foram destruídas.
O Conselho Muçulmano do Cáucaso confirmou que a demolição das duas igrejas foi planejada pelo Estado, conforme relatado pelo jornal Asbarez. O conselho declarou que as construções eram “ilegais” e teriam sido erguidas durante o período que o Azerbaijão classifica como ocupação armênia. Segundo a entidade, a remoção das estruturas “não pode ser interpretada como destruição de patrimônio religioso ou cultural”.
A entidade também afirmou que moradores azerbaijanos que retornaram à cidade solicitaram a retirada de edificações que não existiam anteriormente ao período descrito como ocupação.
A Santa Sé de Etchmiadzin acusou o Azerbaijão de “atacar deliberadamente locais sagrados cristãos armênios” com o objetivo de eliminar a presença armênia na região, conforme divulgado pelo Middle East Eye. O Conselho Muçulmano do Cáucaso rejeitou a acusação, classificando-a como “hostilidade e desinformação”.
A deputada azerbaijana Elnare Akimova declarou que os relatos sobre destruição de igrejas representam “uma provocação das forças revanchistas” e afirmou que o país mantém como política de Estado a preservação de monumentos religiosos e históricos.
Por outro lado, Lernik Hovhannisyan, presidente do Conselho Diocesano de Artsakh, contestou a versão oficial do Azerbaijão. Ele afirmou que a população de Stepanakert sempre foi majoritariamente armênia e questionou a ausência de explicações sobre a destruição de outras igrejas históricas em localidades próximas, como Shushi.
Hovhannisyan também afirmou que as ações relatadas não condizem com a imagem de tolerância religiosa apresentada pelo Azerbaijão. Ele mencionou ainda questionamentos sobre o destino de monumentos históricos em regiões como Nakhichevan e o norte de Artsakh.
O religioso argumentou que as demolições não estão alinhadas com padrões internacionais relacionados ao direito de autodeterminação. A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, por meio do Grupo de Minsk, reconheceu anteriormente em seus documentos o direito da população armênia da região à autodeterminação. O grupo, copresidido por França, Rússia e Estados Unidos, reduziu suas atividades após 2022 e deixou de atuar de forma efetiva após a ofensiva azerbaijana em 2023.
A situação também gerou repercussão política na Armênia, às vésperas de eleições parlamentares. Críticos acusaram o primeiro-ministro Nikol Pashinyan de não buscar uma condenação internacional do Azerbaijão. Ele declarou que o governo trabalha para reunir informações completas sobre o caso, mas afirmou: “Não creio que, levando em conta nossa experiência anterior, faremos disso um tema de discussões internacionais em nível estatal”. O premiê acrescentou que o tema exige “prudência”, classificando a situação como sensível.
Cerca de 120 mil armênios deixaram Nagorno-Karabakh após as ofensivas militares que culminaram no controle total da região pelo Azerbaijão em setembro de 2023. Segundo relatos, armênios capturados durante o conflito permanecem detidos no país.
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