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26 de agosto de 2026
A invasão brutal de uma facção criminosa a uma igreja que acolhia refugiados na comunidade de Kenscoff, nos arredores de Porto Príncipe, resultou em pelo menos 47 mortes e 22 feridos, conforme informou o Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti.
O ataque teve início por volta das 22h30 de domingo e se estendeu ao longo da segunda-feira. Segundo relatos de sobreviventes, os alvos incluíram instalações da Igreja Evangélica da Arca da Nova Aliança, localizada nas proximidades do cemitério municipal. Além de incendiarem residências e realizarem sequestros, os invasores destruíram o templo religioso e sacrificaram animais, inclusive cavalos.
O prefeito de Kenscoff, Massillon Jean, descreveu a gravidade do ataque liderado pela coalizão armada Viv Ansanm: “A noite passada foi uma noite de terror que atingiu a comuna de Kenscoff.”
Governo do Haiti envia reforços e decreta alerta máximo
Em resposta imediata ao massacre, o governo haitiano anunciou o envio de reforços policiais para a região montanhosa e decretou estado de alerta máximo para todas as forças de segurança nacionais. Em comunicado oficial, a administração pública afirmou que empregará a força legal do Estado para desmobilizar os grupos armados e restabelecer o controle territorial.
“A mensagem do Governo é inequívoca: nenhum grupo armado prosperará no Haiti. Os criminosos não encontrarão trégua, refúgio ou impunidade. As forças de segurança foram encarregadas de persegui-los, neutralizá-los e incapacitá-los”, diz o comunicado.
O governo também destacou que as ordens operacionais são claras para conter a expansão dos criminosos: “Que não haja engano: este momento de luto é também um desafio. E a este desafio, o Governo responde com a força da lei e o legítimo exercício da força do Estado. Todas as forças de segurança foram colocadas em alerta máximo.
Os reforços estão sendo implantados. As ordens são claras: proteger, garantir a segurança, intervir. A autoridade do governo será restaurada — com firmeza e sem demora — em todo o território de Kenscoff.”
Escalada da violência no Haiti
Dados de monitoramento da ONU indicam uma grave deterioração das condições de segurança no país. Apenas no segundo trimestre de 2026 — entre abril e junho —, a violência armada causou a morte de 1.408 pessoas e deixou outras 656 feridas, sendo que as gangues são responsáveis por mais da metade desses registros.
O representante especial das Nações Unidas no Haiti, Carlos Ruiz Massieu, ressaltou que as populações mais vulneráveis continuam sofrendo o maior impacto dos confrontos: “Estes números mostram que a população continua a pagar um preço inaceitável pela violência. A sua proteção deve permanecer no centro de todos os esforços para restaurar a segurança, especialmente para crianças, mulheres e outras pessoas expostas a riscos acrescidos.”
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