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25 de maio de 2026
A British Medical Association reviu grande parte de sua posição anterior sobre o Relatório Cass, documento que avaliou o uso de bloqueadores da puberdade em crianças e adolescentes no Reino Unido. Em 2024, a entidade havia criticado duramente as conclusões do relatório, mas agora publicou uma nova avaliação interna reconhecendo fundamentos apresentados pela revisão conduzida pela pediatra Hilary Cass.
As conclusões da associação foram divulgadas em um artigo intitulado “Cass Review: Evidence, Interpretation and Implementation”. O professor David Strain, coautor do documento, afirmou que Hilary Cass “foi justificada na forma como abordou os dados”.
Segundo o portal Christian Daily, ao ser questionado sobre quais das 32 recomendações da revisão ainda seriam contestadas pela BMA, Strain respondeu: “Não consigo”, acrescentando que a médica “abordou uma área de significativa incerteza com a regra fundamental da medicina: ‘primeiro, não causar dano’”.
A mudança de posicionamento ocorre após a associação médica ter classificado, em julho de 2024, as recomendações do relatório como “infundadas”. Na ocasião, o conselho da entidade também pediu uma revisão pública do documento e defendeu o fim da proibição dos bloqueadores da puberdade. A postura provocou reação negativa entre integrantes da própria associação. Posteriormente, a BMA adotou neutralidade sobre o tema e criou um grupo interno responsável pela nova avaliação.
Em artigo publicado pela Christian Medical Fellowship, Trevor Stammers, ex-clínico geral e ex-presidente da entidade, afirmou que o novo documento representa um reconhecimento de que as evidências favoráveis à supressão da puberdade e ao uso de hormônios de afirmação de gênero em jovens permanecem “limitadas e incertas”.
“Sempre que a ideologia prevalece sobre as evidências, as pessoas eventualmente precisam encarar a realidade”, escreveu Stammers. “É muito triste que, agora que os esforços da BMA para desacreditar as descobertas de Cass acabaram por, em grande parte, corroborá-las, eles ainda busquem criticar as ações necessárias tomadas posteriormente”.
Apesar da revisão de postura, a associação médica continua sem apoiar uma proibição legal total dos tratamentos. O grupo responsável pela análise afirmou que uma proibição absoluta por parte do governo britânico poderia representar um “excesso de poder” político sobre a autonomia clínica dos médicos, mesmo reconhecendo os “danos conhecidos e plausíveis” relacionados aos bloqueadores da puberdade.
O Relatório Cass foi uma análise independente do Serviço de Desenvolvimento da Identidade de Género administrado pela Tavistock and Portman NHS Foundation Trust, em Londres. O estudo foi encomendado pelo NHS England e liderado por Hilary Cass. As conclusões levaram posteriormente ao encerramento da clínica Tavistock, após avaliações de que o modelo centralizado de atendimento não possuía base suficientemente segura e fundamentada em evidências.
A revisão apontou que profissionais da área da saúde em diferentes países passaram a observar adolescentes com quadros considerados mais complexos, incluindo maiores necessidades de acompanhamento psicológico e psicossocial. O relatório também registrou aumento de diagnósticos de TEA, o Transtorno do Espectro Autista, e TDAH, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, entre jovens encaminhados ao serviço.
Os dados analisados ainda indicaram índices mais elevados de depressão, ansiedade e transtornos alimentares entre pacientes atendidos pela clínica de gênero em comparação com a população geral.
Hilary Cass também observou no relatório que “é amplamente aceito que a exposição à sexualidade está acontecendo em uma idade mais jovem”. Segundo ela, os impactos dessa exposição sobre a compreensão da sexualidade e da identidade de gênero entre os jovens ainda precisam ser mais estudados.
Trevor Stammers afirmou que a Revisão Cass enfrentou críticas de ativistas e de parte da comunidade acadêmica, incluindo um artigo de McNamara e colaboradores que apontava supostas falhas metodológicas na análise. Ao comentar as críticas, Stammers citou o texto bíblico: “Não testemunhe contra o seu próximo sem motivo”.
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